Artigo & Opinião

O perigo não está nos robôs, mas no bolso: por que 2026 será o nosso “tudo ou nada”

Nas últimas semanas, o assunto nas mesas de café e nas redes sociais é um só: a Inteligência Artificial. Existe um misto de fascínio e terror no ar. Afinal, a IA está mudando a forma como trabalhamos, estudamos e até como nos comunicamos. Muitos temem que, em breve, seremos substituídos por algoritmos superpoderosos. Mas eu gostaria de lhe fazer um convite: tire os olhos do futuro tecnológico por um instante e foque no presente econômico. O perigo real não está nos códigos de computador, mas na mão de quem conduz a economia do nosso Brasil.

O que realmente deveria tirar o seu sono não é o avanço da máquina, mas a insistência do atual governo em uma prática que já destruiu nações: o crédito artificial. Enquanto discutimos o “cérebro” das máquinas, o governo atual brinca com o coração da nossa economia — a nossa moeda.

Para entender o que está acontecendo, imagine que a economia é uma construção. Para construir uma casa, você precisa de tijolos reais (poupança, trabalho e produção). O que o atual governo faz é tentar convencer o empreiteiro de que ele tem mais tijolos do que realmente possui, apenas imprimindo papéis que dizem “vale um tijolo”. Isso é o crédito artificial.

Sob a gestão atual, vemos uma pressão constante para que os juros baixem “na marra”, ignorando a realidade fiscal e a inflação que corrói o salário do trabalhador na gôndola do supermercado. Quando o governo força o barateamento do dinheiro sem que haja riqueza real por trás disso, ele cria uma miragem de prosperidade. Empresários tomam empréstimos para projetos que não se sustentam, famílias se endividam acreditando em uma estabilidade que não existe e, lá na frente, o castelo de cartas desmorona.

Já vimos esse filme antes: o resultado é o fechamento de empresas, o desemprego em massa e a destruição do patrimônio de quem passou a vida poupando.

A Inteligência Artificial é, no fundo, uma ferramenta maravilhosa para aumentar a nossa produtividade. Ela pode nos tornar mais ricos e eficientes. Mas, para que isso aconteça, precisamos de um ambiente econômico saudável.

O investimento em tecnologia de ponta exige capital de longo prazo e segurança jurídica. No entanto, o que o atual governo oferece é o oposto: um cenário de gastos públicos descontrolados e uma sede insaciável por arrecadação para sustentar uma máquina estatal cada vez mais inchada. Em vez de atrairmos os grandes data centers e os gênios da computação, estamos afugentando o capital com o medo da inflação e do populismo monetário.

Estamos em maio de 2026. O cronômetro para as eleições já está correndo e a temperatura política sobe a cada dia. Este ano não será apenas mais uma disputa de nomes ou de partidos; será o momento em que decidiremos se o Brasil quer ser um país moderno ou um museu de erros econômicos.

As urnas em 2026 definirão se continuaremos sendo reféns de um governo que enxerga o Banco Central como um puxadinho político e o seu dinheiro como um recurso infinito para projetos ideológicos. Se não mudarmos o rumo e recuperarmos a responsabilidade com a moeda, a inteligência artificial será o menor dos nossos problemas. Afinal, de que serve um software de última geração se o dinheiro no bolso do cidadão não compra o pão no final do dia?

O economista Ludwig von Mises já alertava que a expansão desenfreada do crédito é o caminho mais curto para a crise. O trabalhador brasileiro não deve temer a automação; ele deve temer a distorção. Quando o governo manipula o valor do dinheiro, ele está, na prática, roubando o seu tempo e o seu esforço.

Os robôs não vão quebrar o Brasil. O que quebra um país é a crença arrogante de políticos que acham que podem substituir as leis do mercado por decretos e canetadas.

Em 2026, teremos a chance de retomar as rédeas. Precisamos de um governo que entenda que a verdadeira riqueza vem da liberdade, da produção e de uma moeda honesta — e não de truques contábeis e crédito barato distribuído por conveniência eleitoral. O futuro pode ser brilhante, mas ele exige que, antes de tudo, tenhamos a coragem de encarar a verdade econômica de frente.

Lucas Barboza

Economista pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP), com formação também em Logística e História pela UNOPAR. Especialista em Gestão de Projetos, Consultoria Empresarial e Ensino de Matemática, atua na intersecção entre educação, estratégia e desenvolvimento organizacional.

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