A Máquina de Fazer Pobres: Como a Política Monetária Atual Corrói seu Futuro
No Brasil de 2026, vivemos um paradoxo cruel. Enquanto os relatórios oficiais e as propagandas estatais celebram “metas atingidas” e uma suposta normalidade econômica, o brasileiro comum sente o solo ceder sob seus pés a cada ida ao supermercado. Existe um abismo entre a narrativa de Brasília e a realidade do seu bolso. Mas por que o dinheiro parece evaporar, mesmo quando o governo jura que está “ajudando” a economia?
A resposta exige que deixemos de lado a retórica política e olhemos para a engenharia do dinheiro.
Para entender a raiz do problema, precisamos olhar para o que chamamos de dinheiro. As cédulas que usamos e os dígitos em nossas contas bancárias não possuem lastro real. São moedas fiduciárias, impressas monopolisticamente por bancos centrais e multiplicadas pelo sistema bancário de reservas fracionárias.
O governo atual, fiel à crença de que o Estado é o motor infinito da prosperidade, utiliza esse sistema para injetar liquidez no mercado. A narrativa é bonita: “crédito para o desenvolvimento”. A realidade técnica, porém, é outra: inflação da base monetária.
Quando bancos comerciais concedem empréstimos (dinheiro bancário) além de suas reservas, ou quando o Banco Central atua para financiar — direta ou indiretamente — os déficits fiscais do governo, a oferta de dinheiro aumenta. E aqui está a primeira lição que a gestão atual parece ignorar deliberadamente: mais dinheiro impresso não significa mais riqueza; significa apenas que cada nota no seu bolso vale menos.
Existe uma confusão proposital nos termos. Hoje, vende-se a ideia de que inflação é apenas o aumento do IPC (Índice de Preços ao Consumidor). Mas o aumento dos preços é apenas o sintoma. A doença real é o aumento artificial da oferta monetária.
O governo celebra quando o índice oficial varia pouco, mas ignora que:
O índice é uma cesta arbitrária de bens que raramente reflete o consumo real das famílias.
A injeção de dinheiro distorce a estrutura de preços relativos muito antes de chegar ao índice final.
Essa inflação é externa ao mercado. Ela é uma decisão política de redistribuição de riqueza. Ao expandir o crédito e os gastos públicos sem lastro em poupança real, o governo atual está trocando “nada” por “algo”, diluindo o valor do trabalho de quem produz.
A crítica mais severa que se pode fazer ao modelo atual não é apenas técnica, é moral. A inflação gera uma transferência de renda perversa e silenciosa.
Quando o novo dinheiro entra na economia, ele não chega a todos ao mesmo tempo. Ele beneficia os primeiros receptores:
O próprio governo (para pagar suas contas e emendas);
Grandes bancos;
Empreiteiras e setores “campeões” escolhidos a dedo pela política industrial.
Esses grupos gastam o dinheiro novo quando os preços ainda estão antigos. Eles compram bens e serviços reais a preços de ontem.
Quando esse dinheiro finalmente percola até a base da pirâmide — chegando ao trabalhador assalariado, ao aposentado e ao pequeno comerciante —, os preços já subiram. O povo paga a conta da festa. Quem recebe por último é quem financia, através da perda de poder de compra, os gastos daqueles que estão no topo da cadeia alimentar política.
Ouvimos frequentemente dos economistas alinhados ao planalto que o governo precisa “estimular a demanda”. Dizem que o Banco Central deve satisfazer a “fome de dinheiro” da população. Isso é uma falácia perigosa.
Qualquer quantidade de dinheiro é suficiente para uma economia funcionar, desde que os preços sejam livres para se ajustar. A demanda por dinheiro não é um pedido por mais papel pintado, mas sim por mais poder de compra. Ao tentar “ajudar” imprimindo mais, o governo apenas força a sociedade a financiar seus déficits e suas aventuras fiscais extraorçamentárias.
A inflação, portanto, não é um acidente natural ou culpa de “ganância empresarial”, como gostam de dizer em discursos inflamados. Ela é uma política de Estado. É um imposto não legislado, arbitrário e coercitivo.
Entender que o aumento constante dos preços é uma consequência direta da expansão monetária governamental é o primeiro passo para pararmos de ser enganados. Enquanto aceitarmos moedas que perdem valor por decreto político, a poupança será impossível e o planejamento de longo prazo, uma utopia.
Para acabar com essa injustiça e o empobrecimento sistêmico, a solução passa longe de “mais Estado”. Passa pelo fim do monopólio estatal sobre a moeda e pela abolição do crédito artificial que gera ciclos econômicos de euforia e depressão.
Até lá, desconfie das promessas de prosperidade via canetada. Se a impressora de dinheiro resolvesse a pobreza, o Brasil já seria o país mais rico do mundo. A realidade, infelizmente, cobra seu preço na gôndola do supermercado.


